terça-feira, 6 de novembro de 2012

:: Espelho Meu ::

Corre e lhe ferve no sangue,
O desgosto lhe vive no peito.
O que a completa por fora
Foi por dentro outrora desfeito

De pedaços que foi apanhando,
Menos pedaços lhe ficavam na mão.
Com uns afiados, sem querer se cortava
E assim lhe continuavam a cair ao chão.

De tanto voltarem a cair,
Nenhum pedaço para cair sobrou.
Apenas pó e sangue derramados,
Mas até o pó o vento levou.

Vida que levas, espelho meu
Sem nunca o poderes mudar...
Reflectes em minha função
E do teu reflexo não consigo gostar.

Com o sangue pintei um quadro
Em que o tema ninguém percebeu.
E voltando atrás no tempo vejo,
No fundo, nem mesmo eu...

Também tu te quebras,
E tento não mais te quebrar...
Aprendo a gostar de ti
Para um dia te conseguir amar.