sábado, 26 de dezembro de 2009

:: Sentimentos de quem tudo e nada Sente ::

Outrora, senhora e rainha do seu mundo,
Agora, cega pelo sentimento moribundo,
Está a musa de ninguém, negativa por natureza,
A afogar-se, sem razão, nas lágrimas da incerteza.

Está muda pelas palavras que não consegue dizer,
Louca pelos desejos que não consegue descrever,
Indecisa se o que realmente quer é viver ou morrer
Desejosa de que alguém na vida a faça renascer…

Pele marmoreada, como de uma morta se tratasse,
Esta chora, deseja e espera que alguém a adorasse.
E perdida, esquecida, vagueando pela escuridão,
Eis que alguém surge e a segura pela gelada mão.

Esse toque reacendeu o fogo que já há muito se extinguia,
Reanimando assim, o seu coração que já por ninguém batia…
Mas o que aconteceu ao negativismo e a outro tipo de sentimento?
Está agora enterrado por um abraço, no limite do esquecimento.

Todo o fardo que sentia e toda aquela solidão,
Foram por ele destruidos e substituidos por paixão.
Ele é, simultâneamente, o seu veneno e a sua cura.
Ela é victima do amor, de uma felicidade que perdura.

E mesmo se vendo ele encrostado em mil defeitos,
Todos os seus actos são para ela simplesmente perfeitos.
Ele é a sua droga. É tudo aquilo que ela precisa e quer.
Um vício que possui por completo esta desgraçada mulher.

Aquele que o seu sangue aquece,
Aquele que o coração não esquece,
Aquele cujo dejeso a enlouquece,
Aquele que é mais do que ela merece.

Mas e os problemas??? Onde estão???
Tristeza??? Pois, parece-me que não…
Lágrimas? Secaram, são só para que está a sofrer.
Morte? Só quando o tempo lhe a quiser oferecer.

E sorrindo, apercebe-se que ele a fez mudar
Será este um sonho? Ela não quer acordar…
E num baço espelho, o reflexo dela sou EU…
Em que tudo aquilo que sou é totalmente teu…

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